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Artigos

14-03-2014

Cantando memórias: A música e o Alzheimer

Quem não gosta de uma boa música, não é mesmo? A música tem o dom de provocar em nós as mais diversas emoções, e mais do que isso, tem o poder de nos fazer viajar no tempo. Freqüentemente ouvimos pessoas relatarem lembranças que emergiram através da música, como por exemplo: “Eu dancei essa música no meu casamento”, ou ainda, “Essa música me faz lembrar minha infância na fazenda”.

Essa conexão entre música e memória tem uma explicação científica. Petr Janata (2009), em um experimento o qual monitorou as atividades cerebrais de voluntários enquanto ouviam música, descobriu que a região do cérebro associada à música está diretamente ligada ao armazenamento das memórias mais marcantes da nossa vida. Além disso, ele verificou que esta mesma região chamada córtex pré-frontal é uma das últimas a se atrofiar com a evolução da doença de Alzheimer.

Isto explica o porquê pacientes com Alzheimer se beneficiam tanto da música. Na Inglaterra, a Ong “Alzheimer´s Society” foi uma das pioneiras em dar espaço para a música como um aliado no tratamento da doença de Alzheimer. Um projeto intitulado “Singing for the brain” é um grupo de canto semanal para idosos com Alzheimer. Familiares relatam que os idosos após começarem a freqüentar o grupo de canto, apresentaram uma significativa melhora de suas funções cognitivas, bem como de humor e bem estar.

Uma atividade simples e prazerosa que vêm como uma terapia complementar no tratamento de Alzheimer. Funcionando como uma trilha sonora da vida, a música auxilia a resgatar suas memórias, alegria e auto-estima, contribuindo para a qualidade de vida do idoso.

Júlia Jones de Melo Saraiva – Psicóloga | CRP 08/18088